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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Hoje sinto-me assim...


Hoje sinto-me sem os pés no chão,
sinto-me vazia, sem sangue...
Sinto-me como se não houvesse tempo!
Como se não existisse o Inverno,
muito menos a Primavera...
Como se não houvesse o canto dos pássaros
e o sopro do vento!
Hoje sinto-me como se nada sentisse,
longe do mundo... efémera quimera!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Crepúsculo


Sinto um vazio,

sim...se posso chamar assim!

Vazio, um buraco no nada,

no crepúsculo do meu ser!

Sou eu, sou eu!

Um corpo insano,

incapaz de se mover...

De quebrar os cristais,

as pedras que cresceram dentro de mim!

E agora sinto o seu peso...

O peso da dor que não tem fim!

domingo, 20 de setembro de 2009

Tenho-te e não te tenho!
E nesta vontade imensa de te ter,
penso em te saber...
Tenho-te e não te tenho!
E fico sem a certeza de que alguma vez te tive...
Tenho-te e não te tenho!
E se alguma vez tive,
porque não ficaste comigo?
Tenho-te e não te tenho!
E o meu leito é só saudade,
dessa saudade transparente...
que aparece quando voltas no meu devaneio!
Tenho-te e não te tenho!
E tenho um rio de amargura
à espera de desaguar no mar...
Porque tenho-te e não te tenho!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A magia do beijar


A magia do beijar:
As nossas línguas dançam
Ao som da música que tocamos.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Hoje sinto-me assim...


Hoje sinto-me assim...


Sinto-me como que me roubassem a alma,


como se o vento a empurrasse p'ra bem longe daqui...


longe do meu corpo e o deixasse apenas com os seus pecados!


Sou e já não sou eu,


como se quem fui tivesse anoitecido, cuspido como um veneno.


Não bebas do meu veneno e, eu não te mato...


Deixa-me morrer a mim!


terça-feira, 18 de agosto de 2009


Os meus olhos são andorinhas

que esvoaçam à procura dos teus,

durante o cheiro das flores da Primavera.

Os meus lábios escondem um mar imenso e esverdeado,

durante o calor intenso do Verão.

Os meus cabelos esvoaçam ao som do vento,

durante o despir das árvores do Outono.

Os meus braços são uma manta aos quadrados

que te abraça,

durante as tardes chuvosas do Inverno.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009


Amor…
Eras sincero e puro,
De asas tão nevadas…
Agora és pouco e duro,
De asas tão pesadas.

Amor…
Eras tanto e eterno,
De fogo ardente e escarlate.
Agora és atroz, és inferno;
És vento e o fogo apagaste.

Amor…
Eras rosa delicada,
De perfume tão primaz…
Agora és espinho, espada
Que rompe, fere, mordaz.

Amor…
Eras verdadeiro e pudico,
De uma espontânea vontade.
Agora és efémero, pútrido;
Chama acesa sem verdade.

Amor…
Eras tudo e soberano,
De ceptro opíparo, opulento…
Agora és nada, és insano;
Olvido esquecido, indeferimento.

domingo, 2 de agosto de 2009

Às vezes


Às vezes,

Não tenho a certeza de que o céu é infinito

e de que o seu sol ainda é amarelo.

Não tenho a certeza de que o som é invisível

e de que o teu sorriso é de todos o mais belo!



À s vezes,

Não tenho a certeza de que os trevos dão sorte

e de que os vulcões cospem lava ardente.

Não tenho a certeza do que me vai na alma

e do que o meu coração deveras sente!



Às vezes,

Não tenho a certeza de que existe um Deus,

e de que ele está em toda a parte.

Não tenho a certeza que existe também o amor

e se, por isso mesmo, devo ou não amar-te!



Às vezes,

Não tenho a certeza da minha vontade

e de que quero aquilo que julgo querer.

Não tenho a certeza do que acho ser verdade,

apenas de que quero amar-te até morrer!

quinta-feira, 23 de julho de 2009


Não me perguntes…Não sei!
Caí no abismo do meu próprio véu
E não sei mais como transparecer…
O transparente incolor de mim,
Não sei mais eu reconhecer…
Dos fantasmas soberbos no teatro já não sou
E reciclo o pouco que de mim sobrou!!!
Abismos de pedras silenciosas
Que em surdina falam sem cessar a voz…
Os muros são soldados
E eu de mim inimigo.
Combate esquecido, a sós…
Digo comandante de mim “sentido!”,
De mim faço peregrino.
Caminho na falsa luz da minha alma
Que se apaga, oh! Desatino…
Se em mim vês trilho, não percorras
O meu cinza-ferro e enferrujado!
E já não sei! Não sei de mim,
Não me encontro porque me falto…
Estou algures, além do vago e inato asfalto!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Bom dia amor!

Bom dia amor! Estás aí?
Bate com força no meu peito…
Doce pulsar do meu coração
Desde aquela tarde de Verão.

Verão de aroma tão singelo,
Tocavam os anjos violoncelo.
E o sol feliz se fazia sentir;
Desde então passei a sorrir.

Cheiros de um tão leve sabor
Deixaram-me com sede de amor.
E tu, com tua boca doce, altiva,
Mataste a minha sede com saliva.
Ao meu amor
desde aquela tarde de Verão (há doze anos atrás)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Queria ser...


Queria ser asa branca para voar
E confundir-me no céu cristalino.
Queria chegar aos anjos a cantar
Ao som agudo de um violino.

Queria ser asa branca, de pena nevada
E agarrar-me às ondas no enrolar.
Queria voltar p’ra terra ainda molhada
E no cimo das rochas as penas secar.


sábado, 30 de maio de 2009

Quero ser...


Quero ser…

Quero ser a água que te banha,
Quero ser o sol que te aquece.
Quero ser o lençol que te abraça
À luz da noite que adormece.

Quero ser rosa do teu jardim,
De entre as outras ser a mais bela.
Quero ser a cor do jasmim
Que espreita na tua janela.

Quero ser a estrela no céu
Que ganha o rosto com o anoitecer.
Quero ser lágrima de um olho teu
E ter em ti o meu nascer.

Cantiga de amigo

Ó madrugada que levantas no céu…,
Que acordas-me com teus ritmos de alvorada;
Diz-me, onde está o amigo meu?

Continuo à espera na janela do meu quarto
Por aquele que o meu coração perdeu…!
Diz-me, onde está o amigo meu?

Sem nada saber, na vida procuro
Por um amor que um dia foi meu!...
Dizei-me, aurora, onde está o amigo meu?

Sinto as pálpebras pesadas! Os meus olhos cerrarei.
E com aquele que amo toda a noite sonharei.
Sonho, onde está o amigo meu?

domingo, 3 de maio de 2009

Mãe...


Neste dia tão especial,

nada melhor que deixar um poema

que escrevi há doze anos atrás,

altura em que a Poesia começou a suscitar-me interesse.

À minha mãe

e à vontade de estar no aconchego do seu ventre,

quando a vida cá fora ainda era um doce mistério!



Mãe…
Desculpa se te fiz sofrer
E nesse dia existi…
Sinto-me fruto do teu ser,
Do ventre onde antemão vivi.

Hoje sinto saudades desse lado,
Onde tudo era calor;
Deste lado vence o frio,
Neste mundo impera a dor.

97/04/11

sexta-feira, 1 de maio de 2009


Não tenho tempo amor...

Não tenho desse tempo fugaz,

desse tempo fulminante

que se confunde com o Amar!


Não tenho tempo...

Desse tempo que corre célere,

e de tão efémero que é

não o consigo agarrar!


Não tenho tempo amor...

Não tenho desse tempo que não mente

e que não chega de verdade.

Desse tempo que não se sente!

terça-feira, 14 de abril de 2009

A minha vida tem dois dias


A minha vida é feita de fontes,

de sorrisos coloridos e quentes.

De estradas, de olvidos, de lembranças;

é feita de certezas, de pontes

e de fantasmas eloquentes!

A minha vida é um paraíso

onde a paz se envolve com o vento,

o mar enrola nuvens de algodão;

o ar devora pensamentos

e o céu serve-me de alento!

A minha vida amanhece,

todos os dias nela o sol se põe

e aquece os meus desejos,

os meus sonhos, os meus pecados...

e depressa se vai embora!

P'ra dar lugar à lua, imóvel e nua.

A minha vida é pela noite fora...

O seu brilho confunde-se

quase com o das estrelas.

A imensidão é a do amor,

diferente para todos quanto amo.

Podia numerá-lo: amor 1, amor 2, amor...infinito!

Mas é amor e basta.

A minha vida é porto sem abrigo,

é conquistas, é carvão;

é pétalas de rosa, é cinza...

e tudo aquilo que eu não digo.

A minha vida tem dois dias:

O primeiro e o último!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A ti filósofo


Diz-me…sim tu,
É contigo que falo…!
Diz-me!...
O que é a noite? O que é o escuro?
O que é o dia? O que é o claro?
O que é o tempo?
Diz-me, o que é afinal?...
Sim, é contigo que falo!
Tu filósofo que perguntas e procuras.
Tu que te espantas, que duvidas, que questionas.
Afinal o que é a vida?
Sabes?
E a morte?...Qual é o sentido da morte?
Encontraste a resposta?
O que são as palavras?
Tu que anseias em responder…
Diz-me qual é o sentido das palavras.
Mas, e o que é o sentido?
Então?...valerá a pena procurar?

sábado, 28 de março de 2009

Apetece-me...

Apetece-me a ti ao meu lado,
Com a tua boca disponível…
Apetece-me, não sei…
Desse apetecer que só apetece
Quando não estás visível!
Ver-te, tocar-te, sentir-te…
Apetece-me, sei que apetece-me…
Desse apetecer que só apetece!

terça-feira, 17 de março de 2009

Saber a amor!



Queria sentir o sabor do teu beijo,
Daquele sabor insípido que só sabe a amor.
Beber tua saliva! Ainda ter sede de desejo…
Sentir o meu corpo vibrar do teu calor!

Assomos de beijos molharem meu corpo,
Sentires de mim o doce sabor a nada.
Um nada que sabe a tudo e a pouco…
Laivos de pétalas, rosa delicada…

Tocares em mim, teus dedos escorregarem
Sobre a minha pele pálida e nua…
Teus olhos vivos, acesos olharem-me e
Descobrires que continuo a ser só tua!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Adeus…
Já não somos nós amor!
Já não fazemos os mesmos beijos,
Foi-se embora parte da cor!
Daquela cor que se pintava o nosso amor!
Um retrato luminoso de papoilas
E alperces dourados…
Sóis amarelos, como os teus olhos,
mundos castanhos sombreados…
Moldura impressionada
que já não impressiona…
Já lá não estão as papoilas,
Só um risco, uma linha
Que nada contorna…
Foi-se a pintura virgem,
Ficou uma falsa floresta
De desejos dúvios…