terça-feira, 4 de agosto de 2009
domingo, 2 de agosto de 2009
Às vezes

Às vezes,
Não tenho a certeza de que o céu é infinito
e de que o seu sol ainda é amarelo.
Não tenho a certeza de que o som é invisível
e de que o teu sorriso é de todos o mais belo!
À s vezes,
Não tenho a certeza de que os trevos dão sorte
e de que os vulcões cospem lava ardente.
Não tenho a certeza do que me vai na alma
e do que o meu coração deveras sente!
Às vezes,
Não tenho a certeza de que existe um Deus,
e de que ele está em toda a parte.
Não tenho a certeza que existe também o amor
e se, por isso mesmo, devo ou não amar-te!
Às vezes,
Não tenho a certeza da minha vontade
e de que quero aquilo que julgo querer.
Não tenho a certeza do que acho ser verdade,
apenas de que quero amar-te até morrer!
e de que o seu sol ainda é amarelo.
Não tenho a certeza de que o som é invisível
e de que o teu sorriso é de todos o mais belo!
À s vezes,
Não tenho a certeza de que os trevos dão sorte
e de que os vulcões cospem lava ardente.
Não tenho a certeza do que me vai na alma
e do que o meu coração deveras sente!
Às vezes,
Não tenho a certeza de que existe um Deus,
e de que ele está em toda a parte.
Não tenho a certeza que existe também o amor
e se, por isso mesmo, devo ou não amar-te!
Às vezes,
Não tenho a certeza da minha vontade
e de que quero aquilo que julgo querer.
Não tenho a certeza do que acho ser verdade,
apenas de que quero amar-te até morrer!
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Morreste-me
(...) Pai. Deixaste-te ficar em tudo. Sobrepostos na mágoa indiferente deste
mundo que finge continuar, os teus movimentos, o eclipse dos teus gestos. E tudo
isto é agora pouco para te conter. Agora, és o rio e as margens e a nascente; és o
dia, e a tarde dentro do dia, e o sol dentro da tarde; és o mundo todo por seres a
sua pele. Pai. Nunca envelheceste, e eu queria ver-te velho, velhinho aqui no
nosso quintal, a regar as árvores, a regar as flores. Sinto tanta falta das tuas
palavras. Orienta-te, rapaz. Sim. Eu oriento-me, pai. E fico. Estou. O entardecer,
em vagas de luz, espraia-se na terra que te acolheu e conserva. Chora chove brilho
alvura sobre mim. E oiço o eco da tua voz, da tua voz que nunca mais poderei
ouvir. A tua voz calada para sempre. E, como se adormecesses, vejo-te fechar as
pálpebras sobre os olhos que nunca mais abrirás. Os teus olhos fechados para
sempre. E, de uma vez, deixas de respirar. Para sempre. Para nunca mais. Pai.
Tudo o que te sobreviveu me agride. Pai. Nunca esquecerei.
in Morreste-me
de José Luís Peixoto
mundo que finge continuar, os teus movimentos, o eclipse dos teus gestos. E tudo
isto é agora pouco para te conter. Agora, és o rio e as margens e a nascente; és o
dia, e a tarde dentro do dia, e o sol dentro da tarde; és o mundo todo por seres a
sua pele. Pai. Nunca envelheceste, e eu queria ver-te velho, velhinho aqui no
nosso quintal, a regar as árvores, a regar as flores. Sinto tanta falta das tuas
palavras. Orienta-te, rapaz. Sim. Eu oriento-me, pai. E fico. Estou. O entardecer,
em vagas de luz, espraia-se na terra que te acolheu e conserva. Chora chove brilho
alvura sobre mim. E oiço o eco da tua voz, da tua voz que nunca mais poderei
ouvir. A tua voz calada para sempre. E, como se adormecesses, vejo-te fechar as
pálpebras sobre os olhos que nunca mais abrirás. Os teus olhos fechados para
sempre. E, de uma vez, deixas de respirar. Para sempre. Para nunca mais. Pai.
Tudo o que te sobreviveu me agride. Pai. Nunca esquecerei.
in Morreste-me
de José Luís Peixoto
quinta-feira, 23 de julho de 2009

Não me perguntes…Não sei!
Caí no abismo do meu próprio véu
E não sei mais como transparecer…
O transparente incolor de mim,
Não sei mais eu reconhecer…
Dos fantasmas soberbos no teatro já não sou
E reciclo o pouco que de mim sobrou!!!
Abismos de pedras silenciosas
Que em surdina falam sem cessar a voz…
Os muros são soldados
E eu de mim inimigo.
Combate esquecido, a sós…
Digo comandante de mim “sentido!”,
De mim faço peregrino.
Caminho na falsa luz da minha alma
Que se apaga, oh! Desatino…
Se em mim vês trilho, não percorras
O meu cinza-ferro e enferrujado!
E já não sei! Não sei de mim,
Não me encontro porque me falto…
Estou algures, além do vago e inato asfalto!
Caí no abismo do meu próprio véu
E não sei mais como transparecer…
O transparente incolor de mim,
Não sei mais eu reconhecer…
Dos fantasmas soberbos no teatro já não sou
E reciclo o pouco que de mim sobrou!!!
Abismos de pedras silenciosas
Que em surdina falam sem cessar a voz…
Os muros são soldados
E eu de mim inimigo.
Combate esquecido, a sós…
Digo comandante de mim “sentido!”,
De mim faço peregrino.
Caminho na falsa luz da minha alma
Que se apaga, oh! Desatino…
Se em mim vês trilho, não percorras
O meu cinza-ferro e enferrujado!
E já não sei! Não sei de mim,
Não me encontro porque me falto…
Estou algures, além do vago e inato asfalto!
Etiquetas:
A minha poesia
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Bom dia amor!
Bom dia amor! Estás aí?
Bate com força no meu peito…
Doce pulsar do meu coração
Desde aquela tarde de Verão.
Doce pulsar do meu coração
Desde aquela tarde de Verão.
Verão de aroma tão singelo,
Tocavam os anjos violoncelo.
E o sol feliz se fazia sentir;
E o sol feliz se fazia sentir;
Desde então passei a sorrir.
Cheiros de um tão leve sabor
Deixaram-me com sede de amor.
E tu, com tua boca doce, altiva,
Mataste a minha sede com saliva.
Ao meu amor
desde aquela tarde de Verão (há doze anos atrás)
Etiquetas:
A minha poesia
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Queria ser...
quinta-feira, 9 de julho de 2009
...o poema não se escreve

(...)o poema não se escreve com letras, escreve-se
com grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e
incertezas, a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
a palavra poema existe para não ser escrita como eu existo
para não ser escrito, para não ser entendido, nem sequer por
mim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos os lugares
onde sou, o poema sou eu, as minhas mãos nos teus cabelos,
o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me
olhas, o poema é o teu rosto, eu,eu não sei escrever a
palavra poema, eu, eu só sei escrever o seu sentido.
in A criança em ruínas
de José Luís Peixoto
sábado, 27 de junho de 2009
Adeus Rei!

Foi com grande tristeza que recebi a notícia, através dos media, de que o grande Sr. da Pop do séc. XX havia desaparecido. Fisicamente deixou de fazer parte deste mundo mas concerteza que o mito, a lenda continuará nos nossos corações.
Michael Jackson começou a cantar aos 5 anos e começou artisticamente aos 11 anos com os Jackson 5.
Era seu grande desejo crescer...e cresceu muito rápido até que tornou-se numa figura tão emblemática e excêntrica que nem sempre agradou a todos. E depressa voltou a ser criança...porque o seu grande desejo era poder fazer tudo aquilo que não pode na sua infância!
Foi o primeiro cantor negro a ter um videoclip na MTV e é o autor do disco mais vendido de todos os tempos "Thriller", de 1982. E marcou toda uma geração...
Agora recordo os momentos da minha meninice que passei olhando um poster que cobria a parede do quarto do meu tio, um poster do albúm Bad.
Michael Jackson foi o meu primeiro ídolo e quero para sempre recordá-lo através dessa imagem e recordá-lo com aquela energia contagiante, com aquela voz terna e doce...!
Adeus Rei! Descansa em paz...
29-08-1958/25-06-2009quinta-feira, 25 de junho de 2009
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Estranha beleza!
São imagens comos estas que provam que a beleza e a perfeição existem!
Ao longo das duas horas de visita ao Mosteiro de Tibães, fui invadida por diversas sensações...
Momentos de estranha beleza proporcionaram-me emoções que eu própria não consigo
descrever com precisão!
Acho que em uma centena de imagens que fui capturando estão reveladas uma centena de
sensações... Estas são algumas delas.
Palavras para quê?!
terça-feira, 2 de junho de 2009
A Criança é feita de cem...

A criança é feita de cem.
A criança tem cem mãos, cem pensamentos, cem modos de pensar, de jogar e de falar.
Cem, sempre cem modos de escutar as maravilhas de amar.
Cem alegrias para cantar e compreender.
Cem mundos para descobrir. Cem mundos para inventar.Cem mundos para sonhar.
A criança tem cem linguagens (e depois, cem, cem, cem), mas roubaram-lhe noventa e nove.
A escola e a cultura separam-lhe a cabeça do corpo.
Dizem-lhe: de pensar sem as mãos, de fazer sem a cabeça, de escutar e de não falar,
De compreender sem alegrias, de amar e maravilhar-se só na Páscoa e no Natal.
Dizem-lhe: de descobrir o mundo que já existe e de cem, roubaram-lhe noventa e nove.
Dizem-lhe: que o jogo e o trabalho, a realidade e a fantasia, a ciência e a imaginação,
O céu e a terra, a razão e o sonho, são coisas que não estão juntas.
Dizem-lhe: que as cem não existem.
A criança diz: ao contrário, as cem existem.
Loris Malaguzzi
sábado, 30 de maio de 2009
Quero ser...

Quero ser…
Quero ser a água que te banha,
Quero ser o sol que te aquece.
Quero ser o lençol que te abraça
À luz da noite que adormece.
Quero ser rosa do teu jardim,
De entre as outras ser a mais bela.
Quero ser a cor do jasmim
Que espreita na tua janela.
Quero ser a estrela no céu
Que ganha o rosto com o anoitecer.
Quero ser lágrima de um olho teu
E ter em ti o meu nascer.
Quero ser a água que te banha,
Quero ser o sol que te aquece.
Quero ser o lençol que te abraça
À luz da noite que adormece.
Quero ser rosa do teu jardim,
De entre as outras ser a mais bela.
Quero ser a cor do jasmim
Que espreita na tua janela.
Quero ser a estrela no céu
Que ganha o rosto com o anoitecer.
Quero ser lágrima de um olho teu
E ter em ti o meu nascer.

Cantiga de amigo
Ó madrugada que levantas no céu…,
Que acordas-me com teus ritmos de alvorada;
Diz-me, onde está o amigo meu?
Continuo à espera na janela do meu quarto
Por aquele que o meu coração perdeu…!
Diz-me, onde está o amigo meu?
Sem nada saber, na vida procuro
Por um amor que um dia foi meu!...
Dizei-me, aurora, onde está o amigo meu?
Sinto as pálpebras pesadas! Os meus olhos cerrarei.
E com aquele que amo toda a noite sonharei.
Sonho, onde está o amigo meu?
Ó madrugada que levantas no céu…,
Que acordas-me com teus ritmos de alvorada;
Diz-me, onde está o amigo meu?
Continuo à espera na janela do meu quarto
Por aquele que o meu coração perdeu…!
Diz-me, onde está o amigo meu?
Sem nada saber, na vida procuro
Por um amor que um dia foi meu!...
Dizei-me, aurora, onde está o amigo meu?
Sinto as pálpebras pesadas! Os meus olhos cerrarei.
E com aquele que amo toda a noite sonharei.
Sonho, onde está o amigo meu?
terça-feira, 19 de maio de 2009
Porque gosto de desafios

Obrigada Armando pelo desafio e por continuares a seguir fielmente o meu blogue!
Aqui está o selo "J' adore tien blog" e passo a indicar os blogues que eu sigo com mais atenção:
-Sair das palavras
-Clips de vidro
-Desabafos de parede
-Avenida Central
-Alma de educador
-Instantes do pensamento
-Poesia sem rosto
Conforme foi pedido no desafio, vou oferecer-lhes o selo e, de seguida, indicar 5 coisas que eu gosto na vida e porquê:
a família e os amigos- porque são o meu chão, o meu suporte, a minha balança, a razão pela qual eu vivo, porque me fazem sentir plena e importante...
a poesia- porque me faz sentir leve e me faz atingir o nirvana..
o chocolate- porque me estimula e me proporciona bons momentos...
as crianças- pela sua inocência, pela sua espontaneidade e, sobretudo porque são capazes de nos dar um sorriso sem esperar nada em troca...
a liberdade- porque sem ela não consigo ser eu mesma...
Espero ter superado a prova! Façam o mesmo.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Parabéns Paulo Praça!
Na noite passada, viveu-se momentos intensos no gatódromo! Na abertura do cartaz
contamos com a presença dos Deolinda e de Pedro Abrunhosa. Estava anciosa para ver subir ao palco o homem que jamais tira os óculos! O que eu não estava à espera era encontrar no mesmo palco o nosso Paulo Praça. É verdade...para quem não foi, fiquem a saber que agora é guitarrista na banda de um dos melhores compositores portugueses, aquele que começou por integrar a banda "Turbo Junkie" e mais tarde os "Plaza".
Há bem pouco tempo, o músico Vilacondense editou um cd que incluía os temas que todos conhecem "Diz a verdade" e "A virgindade da Patrícia" e, mais recentemente, trabalhou no álbum "Amália Hoje", em conjunto com a vocalista dos "The Gift" e com o vocalista dos "Moonspell", Fernando Ribeiro.
A sua prestação no concerto de ontem foi excelente, tenho a certeza de que não passou despercebido!
Foi uma noite muito especial que jamais vou esquecer!
Obrigada Pedro Abrunhosa pela mensagem de liberdade, de amor, de tempo...
Obrigada Paulo Praça, porque me sinto um pouco de Vila do Conde, e nos fazes sentir orgulhosos.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
A Poesia na Infância
Há no espírito das crianças tendências poéticas e uma verdadeira necessidade de ideal, que convém auxiliar e satisfazer, como elementos preciosos para a educação. (...)
A poesia é o ideal percebido instintivamente.
É por tais motivos que a poesia costitui o instrumento por excelência acomodado para desenvolver, e até evocar, na alma infantil, (...) (o) sentimento do bem e do belo.
in Tesouro Poético da Infância
de Antero de Quental
A poesia é o ideal percebido instintivamente.
É por tais motivos que a poesia costitui o instrumento por excelência acomodado para desenvolver, e até evocar, na alma infantil, (...) (o) sentimento do bem e do belo.
in Tesouro Poético da Infância
de Antero de Quental
domingo, 3 de maio de 2009
Mãe...

Neste dia tão especial,
nada melhor que deixar um poema
que escrevi há doze anos atrás,
altura em que a Poesia começou a suscitar-me interesse.
À minha mãe
e à vontade de estar no aconchego do seu ventre,
quando a vida cá fora ainda era um doce mistério!
Mãe…
Desculpa se te fiz sofrer
E nesse dia existi…
Sinto-me fruto do teu ser,
Do ventre onde antemão vivi.
Hoje sinto saudades desse lado,
Onde tudo era calor;
Deste lado vence o frio,
Neste mundo impera a dor.
97/04/11
Desculpa se te fiz sofrer
E nesse dia existi…
Sinto-me fruto do teu ser,
Do ventre onde antemão vivi.
Hoje sinto saudades desse lado,
Onde tudo era calor;
Deste lado vence o frio,
Neste mundo impera a dor.
97/04/11
sexta-feira, 1 de maio de 2009

Não tenho tempo amor...
Não tenho desse tempo fugaz,
desse tempo fulminante
que se confunde com o Amar!
Não tenho tempo...
Desse tempo que corre célere,
e de tão efémero que é
não o consigo agarrar!
Não tenho tempo amor...
Não tenho desse tempo que não mente
e que não chega de verdade.
Desse tempo que não se sente!
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