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sábado, 4 de fevereiro de 2017

Quero ser...


Quero ser a água que te banha,
Quero ser o sol que te aquece.
Quero ser o lençol que te abraça
À luz da noite que adormece.

Quero ser rosa do teu jardim,
De entre as outras ser a mais bela.
Quero ser a cor do jasmim
Que espreita na tua janela.

Quero ser a estrela no céu,
Que ganha o rosto com o anoitecer.
Quero ser lágrima de um olho teu

E ter em ti o meu nascer.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Às vezes...




Às vezes,
Não tenho a certeza de que o céu é infinito
E de que o seu sol ainda é amarelo.
Não tenho a certeza de que o som é invisível
E de que o teu sorriso é de todos o mais belo!

Às vezes,
Não tenho a certeza de que os trevos dão sorte
E de que os vulcões cospem lava ardente.
Não tenho a certeza do que me vai na alma
E do que o meu coração deveras sente!

Às vezes,
Não tenho a certeza de que existe um Deus
E de que ele está em toda a parte.
Não tenho a certeza que existe também o amor
E se, por isso mesmo, devo, ou não, amar-te!

Às vezes,
Não tenho a certeza da minha vontade
E de que quero aquilo que julgo querer.
Não tenho a certeza do que acho ser verdade,
Apenas de que quero amar-te até morrer!


domingo, 8 de setembro de 2013


Abraça-me com se não houvesse amanhã!
Como se o Mundo acabasse hoje, agora, neste momento...
Abraça-me como as tulipas se abraçam
enquanto dançam ao som do vento.

Abraça-me como se não houvesse amanhã!
Como se não houvesse mais uma oportunidade...
Abraça-me como o mar abraça a areia
na bravura de uma tempestade.

Abraça-me como se não houvesse amanhã!
Como se  tivesses medo de me perder...
Abraça-me como se abraça quem ama,
e se julga nunca mais o vir a ter.


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011



Tenho-te e não te tenho!
E nesta vontade imensa de te ter,
penso em te saber...
Tenho-te e não te tenho!
E fico sem a certeza de que alguma vez te
tive...
Tenho-te e não te tenho!
E se alguma vez tive,
porque não ficaste comigo?
Tenho-te e não te tenho!
E o meu leito é só saudade,
dessa saudade transparente...
que aparece quando voltas no meu
devaneio!
Tenho-te e não te tenho!
E tenho um rio de amargura
à espera de desaguar no mar...
Porque tenho-te e não te tenho!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

"A Poesia torna-nos pessoas melhores"

"A tarde nem a meio vai sequer e Filipe Lopes prepara-se para enfrentar a quarta plateia do dia. Os sinais de cansaço ou enfado estão, todavia, ausentes da expressão deste psicólogo, que há 15 anos, como membro do grupo Contador de Histórias, tem percorrido o país em centenas de sessões que visam aproximar os cidadãos da literatura e, acima de tudo, da poesia, devoção de longa data do co-fundador desta pequena empresa de prestação de serviços culturais sediada em Tomar.
"Foi sempre isto que quis fazer", confessa Filipe, que em nenhum momento se arrepende da opção profissional tomada há mais de uma década: "Faço mais pela saúde mental das pessoas lendo poemas e outros textos literários do que num gabinete a dar consultas. É uma realização pessoal muito grande".
Pela frente, tem agora duas dezenas de estudantes do 10º ano da Escola Secundária Diogo de Macedo, no Olival, em Vila Nova de Gaia. Se o entusiasmo não é propriamente o sentimento dominante entre os jovens, Filipe Lopes não se mostra demasiado preocupado com a apatia inicial.
Enterrar os mitos
Hábil conhecedor da psicologia de massas, não tarda a conquistar a plateia, começando por reconhecer que o ensino tradicional está longe de fazer tudo o que pode pela literatura, ao dissecá-la em vez de tentar cativar os alunos.
O resultado, garante o declamador, são gerações sucessivas de jovens erradamente convencidos de que "a poesia é uma seca", quando, na verdade, é o oposto. "Os programas educativos estão concebidos para que os jovens não gostem de ler", desabafa, em tom crítico, mas iliba os professores de quaisquer responsabilidades nesse domínio, embrenhados como estão "no cumprimento de tantos objectivos e tanta papelada que já não lhes sobra tempo para mais nada".
Durante quase 50 minutos, numa sessão precisamente intitulada "Então isto é que é a poesia?", Filipe Lopes enceta uma viagem guiada pelos encantos da palavra poética. Luís de Camões e Florbela Espanca são os primeiros deste cardápio literário de excepção, intercalado sempre por comentários espirituosos que cimentam o tom de informalidade pretendido. Seguem-se, entre tantos outros, Mário-Henrique Leiria, Sebastião da Gama e, até, José Luís Peixoto, amigo do declamador desde os tempos em que ambos escreviam no extinto suplemento "DN Jovem".
A plateia há muito que parece ter vencido as resistências iniciais. E mesmo os mais distraídos no arranque da sessão deixam de lado a irrequietude habitual para se tornarem membros activos do recital, lendo em voz alta poemas de autores que se habituaram a olhar com cepticismo. O segredo? Tratar os jovens com sentido de responsabilidade, sem embarcar nos facilitismos, é um bom princípio, até porque "a base existe. É preciso apenas ter disponibilidade mental para trabalhá-la", defende.
Filipe Lopes assegura que o fomento da leitura é apenas o princípio de tudo. Em última instância, acredita que a literatura é um vector fundamental para a tão desejada educação para a cidadania: "Pessoas que lêem muito provavelmente terão mais consciência social do que as outras. Por isso, gosto de acreditar que a poesia ajuda-nos a sermos melhores".


in "Jornal de Notícias" 26 de Novembro de 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Carpe Diem



O mistress mine, where are you roaming?

O stay and hear! your true-love's coming

That can sing both high and low;

Trip no further, pretty sweeting,

Journey's end in lovers' meeting--

Every wise man's son doth know.



What is love? 'tis not hereafter;

Present mirth hath present laughter;

What's to come is still unsure:

In delay there lies no plenty,--

Then come kiss me, Sweet and twenty,

Youth's a stuff will not endure.



William Shakespeare

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A Poesia vai à Escola


No passado Sábado, dia 23, realizou-se na Biblioteca Municipal José Régio, em Vila do Conde, uma formação que tratou a poesia no contexto escolar.
O programa da formação teve como principais objectivos: definir a poesia, explicar o seu valor (lúdico/utilitarista e intrínseco), o lugar que ocupa no Currículo Nacional do Ensino Básico e no Programa de Língua Portuguesa do 1º Ciclo e na sala de aula e definir estratégias para ensinar a ler poesia.
Segundo Ruy Belo, " É preciso ensinar a poesia porque, embora como qualquer outra actividade, ela tenha aspectos inatos, é também uma coisa que se aprende".
Quero, desde já, deixar um agradecimento especial ao escritor João Manuel Ribeiro, o formador, que proporcionou a todas as pessoas que participaram na formação "A Poesia vai à Escola" um dia especial e, sobretudo, por ter explicado, de forma muito esclarecedora, o papel residual que a poesia deve ocupar na escola.

Deixo aqui um pouco do que foi "A Poesia vai à Escola":

Segundo Aristóteles, a poesia tem a função de despertar emoções.

Estudos empíricos mostram que a poesia melhora o ambiente de sala de aula porque estuda valores.

Em qualquer disciplina podemos ensinar a poesia.

A poesia é um texto aberto que faz a criança pensar porque diz muito mais do que lá está escrito.
A poesia educa a sensiblidade e o gosto e é uma forma de expressão que apela simultaneamente às dimensões cognitiva, emotiva e sensorial. (Neves)

Segundo Fernando Azevedo, a poesia é muitas vezes entendida como mera actividade museológica.

A poesia não se ensina, mostra-se.
A sua leitura deve fazer-se em voz alta, porque todas aquelas palavras aguardam uma voz para tomarem forma e figura. (Eugénio de Andrade)

Poesia é quando uma emoção encontrou o seu pensamento e o pensamento encontrou as palavras.

domingo, 24 de outubro de 2010

Barca Bela de Almeida Garrett (Folhas Caídas)
por Teresa Silva Carvalho

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Às vezes,
Não tenho a certeza de que o céu é infinito
E de que o sol ainda é amarelo.
Não tenho a certeza de que o som é invisível
E de que o teu sorriso é de todos o mais belo!
Às vezes,
Não tenho a certeza de que os trevos dão sorte
E de que os vulcões cospem lava ardente.
Não tenho a certeza do que me vai na alma
E do que o meu coração deveras sente!
Às vezes,
Não tenho a certeza de que existe um Deus
E de que Ele está em toda a parte,
Não tenho a certeza que existe também o amor
E se, por isso mesmo, devo, ou não, amar-te!
Às vezes,
Não tenho a certeza da minha vontade
E de que quero aquilo que julgo querer.
Não tenho a certeza do que acho ser verdade,
Apenas de que quero amar-te até morrer!

sábado, 24 de abril de 2010

Amar



Neste momento
Em que as lágrimas me correm
Pelas faces abaixo,
Sinto-me perdida num rio
Sem leito, sem margens, incessante.
São nestes momentos frios e pesados
Que afogamos as nossas mágoas,
Os nossos desgostos.
Mas não estou verdadeiramente triste
Por te amar sem ser amada,
Porque sei, porque tenho a certeza
De que amo por mim e por ti.

96/05/23

sábado, 17 de abril de 2010


Pintei os meus olhos de verde para ser inspiração a Camões.

terça-feira, 30 de março de 2010



um dia quando a ternura for a única regra da manhã


um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,
acordarei entre os teus braços. a tua pele será talvez demasiado bela.
e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for
tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada
de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da
nossa janela. sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso
será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi
nem uma palavra, nem o príncipio de uma palavra, para não estragar
a perfeição da felicidade.



in A criança em ruínas

de José Luís Peixoto